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Congresso Movergs aborda política e inovações tecnológicas para o setor moveleiro

Na terça-feira, 6 de agosto, em Bento Gonçalves, o evento promoveu um encontro entre palestrantes e profissionais do setor moveleiro para discutir o cenário político atual e as tendências para fomentar os negócios.

 

Os novos rumos da política e um período de recuperação da economia, traduzem um sentimento de esperança, mas ao mesmo tempo de incerteza. Afinal, “como enfrentar os desafios do mercado atual?”. Essa é a pergunta que norteou o 29º Congresso da Associação das Indústrias de Móveis do Estado do Rio Grande do Sul (Movergs), nessa terça-feira, 06 de agosto, em Bento Gonçalves. O evento aconteceu das 7h30 às 15h30, e foi ambientado no Dall’Onder Grande Hotel.

Feliz pelo sucesso de mais um evento, o presidente interino da Movergs, Rogério Francio considera que o segundo semestre de 2019 virá cercado de muitas expectativas. “Estamos entusiasmados, motivados com o otimismo registrado em 2018, quando a produção estadual de móveis fechou 4,5% acima na comparação a 2017, totalizando 84,8 milhões de peças produzidas, de acordo com dados do IBGE. A crise nos trouxe alguns ensinamentos sobre fazermos a lição de casa, sobre investirmos em tecnologias e buscarmos novos mercados”, enfatiza.

Francio também apontou um comércio exterior favorável à manutenção do crescimento das indústrias do ramo. As fábricas se adaptaram aos padrões de qualidade e exigências internacionais. Sendo assim, países como Peru, Uruguai, Estados Unidos e Reino Unido, são alguns dos principais clientes do setor moveleiro no país. “A intenção é instigar, promover uma reflexão sobre os inúmeros desafios. Como diz o slogan da nossa entidade, a proposta é unir para fortalecer, renovar para crescer”, ressalta Francio.

Cerca de 450 pessoas atentas às palestras, que envolveram o cenário econômico e político do país.

A indústria em transformação

Quatro palestrantes enriqueceram o encontro, na troca de aprendizado e informações com o público presente. O primeiro a subir ao palco foi o sócio-diretor do IEMI – Inteligência de Mercado, Marcelo Prado. Com o tema “Mercado de móveis – Panorama setorial e desafios das indústrias brasileiras frente ao cenário atual”, Prado considera que a grande oportunidade para indústria de madeira e móveis no Brasil está no poder de sua transformação. “Significa pensar estrategicamente, focando nas regiões e nos canais de varejo que agregam mais valor e também nos segmentos que nenos perderam espaço. É importante também encontrar maneiras de diferenciar o produto oferecido ao cliente, pensar na precificação e giro no PDV, além de não esquecermos que, mesmo com a crise, existem grupos empresariais crescendo, e eles servem de inspiração”, completa.

 O Brasil em retomada

O economista-chefe da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), André de Nunes considera que o país caminha a passos largos em direção ao campo fértil da economia. Uma expectativa de crescimento que fez ressoar boas vindas aos profissionais do setor moveleiro presentes no encontro. Porém, acredita que essa recuperação será lenta e gradual.
Em seu “Brasil em retomada – perspectivas e desafios para a economia”, o economista inicia traçando um paralelo entre o Brasil e o que ele chama de “nova guerra fria” entre Estados Unidos e China. Salienta que a economia do Brasil depende dos reflexos da política americana no mundo. De acordo com o economista, o crescimento social e econômico do país encontrará um campo fértil a partir do segundo semestre de 2019. Entretanto, explica que na ausência de um “motor” de crescimento, é preciso prosseguir com a agenda de reformas mais estruturais, ligadas a competitividade, mencionando a importância da aceleração das privatizações e concessões e um olhar atento para a reforma tributária.

Cultura digital

A importância de estar sempre em diálogo com as novas tecnologias, encontrando soluções criativas de marketing e promoção da empresa foi o foco da palestra administrador e diretor Comercial de Tecnologia, Júlio César Rodrigues. Também atuou como diretor de E-commerce do Magazine Luiza.
Ele comenta que, hoje em dia, o celular virou um mundo de possibilidades na palma da mão dos clientes. Pensando nisso, O diretor abordou a importância de que a indústria esteja sintonizada com o ambiente virtual e investir na busca de novas ideias no setor de aplicativos de celulares, já antecipando o lançamento da mais nova aposta do Magazine Luiza, um app no qual o cliente poderá encontrar tudo que precisa, uma espécie de mercado de variedades através do perfil da loja e dos serviços que irão ser disponibilizados no aplicativo.

Os novos rumos da política

O Brasil do futuro, para o jornalista Alexandre Garcia, diz respeito a sermos otimistas e pensarmos mais no país do que em ideologias ou interesses partidários. Segundo Garcia, vivemos num período em que a falta de uma visão postiiva e de entusiasmo norteiam as ações e o modo de perceber a política. Com relação às soluções imediatas para que o país volte a crescer, o jornalista destaca três pontos essenciais. A primeira é a necessidade de ausência de déficit da Previdência, passando pela reforma da Previdência, já encaminhada. Em seguida, a reforma tributária, diminuindo os impostos, eliminando a burocracia. E a terceira e mais importante, em sua percepção, é a medida provisória da liberdade econômica, que já está para ser votada no Congresso.

Uma espiada no futuro

Para o radialista, apresentador e colunista, Marcos Piangers, o segredo das empresas do futuro é oferecer autonomia, aprendizado e propósito aos seus funcionários. Acredita que em nosso sistema educacional ultrapassado, não fomos preparados para sermos autônomos. Enfatiza que “o adulto criativo é a criança que sobreviveu”. As empresas conectadas com o futuro buscam resgatar essa infância criativa. Indústrias que empregam propósito, começam a comunicar de forma mais inspiradora. O radialista considera também que a inovação é de suma importância, pois são as novas invenções que fazem o mundo girar. “Inovação é ter coragem. É ter coragem de fazer o que é perigoso, mas ninguém ainda fez. E para isso é preciso criatividade e ousadia”, acrescenta.

 

Fotos: Carlos Ferrari

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Isabelle Domingues dos Santos

Isabelle Domingues dos Santos

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