Andressa Borges

Como viver em paz sendo uma pessoa ansiosa e desgraçada da cabeça

Andressa Borges
Escrito por Andressa Borges

Às vezes fico no carro de meio dia para não fazer nada: nem dirigir, nem comer, nem ver pessoas. Simplesmente tentar relaxar. ‘Querida, você parece um zumbi com fome, um vendaval de pensamentos’. Olha Insta Stories, Face, Whats. Atualiza. Nada. Candy Crush. Acabou as vidas. Fecha o olho, ainda enxerga. A cabeça dói. A gula vem. Olha o relógio.
Depois reclama que a cabeça está cheia, mas nessa massa encefálica tem, neste mês, ideias de como decorar um pequeno apartamento com apenas R$ 25, ‘vinteuma’ mil tendências em cozinhas do Pinterest para caber em meio metro quadrado (também com R$ 25), como emagrecer 15kg quilos em 10 dias, como ganhar músculos comendo batata-frita, quatro dias de academia por semana, dois empregos (três? Me perdi), amigos de verdade (eles tomam tempo….ADORO), uma mudança em 15 dias, um filho de 4 patas esperando em casa, uma vida social para retomar (Oi?).
Meu sonho é ser normal, mas me contento em aprender mindfulness e pelo menos seria mais feliz por alguns segundos.
Crio alguns padrões e teorias. Por tentar sempre fugir de clichês (às vezes não dá), resolvi escrever algumas ideias que ultrapassam a finesse da sociedade, porque se fosse hipócrita, isso só seria mais um texto bem construído.

Números não importam. Às vezes sim.
Eu sempre prezei mais a qualidade do que a quantidade. E quando você faz isso o número do que você tiver vai aumentar automaticamente. Só precisa aprender a esperar e acontecerá naturalmente. Dinheiro, amigos, Melissas. Quem não pensa na quantidade que atire a primeira pedra.
A idade de uma pessoa significa a quantidade de experiências que ela teve, mas não a define pois não importa quantas foram, importa de quantas ela tirou alguma lição. Conheço pessoas mais velhas, que respeito, mas que não são mais sábias, só estão erradas há mais tempo.

Melhor surpreender do que decepcionar.
Era uma vez duas meninas. Cada uma tinha comprado um apartamento pelo programa Minha Casa Minha Vida e decoraram igual, com móveis bons e bonitos. A primeira falava da sua decoração, da vista magnífica, da sacada aberta e fingia que pertencia ao bairro ao lado. A segunda falava que morava em um apartamento MCMV, que era pequeno e simples, mas gostava muito dele.
Quem ia no primeiro esperava ver muito mais, quem sabe 90m² e não imaginava que era tão longe! Quem ia no segundo se emocionava com a vista que tinha da sacada, do bom gosto para com os móveis e como as peças eram amplas.
Essa história é para mostrar que gabar-se não vai fazer as pessoas gostarem mais de você, pelo contrário.

Parem de procurar os vilões.
Quando se para de achar que todas as pessoas estão bolando um plano maquiavélico contra você, a vida fica mais leve. Às vezes é só um cisco, ninguém revirou o olhar para você. E mesmo quando a gente erra, existe a intenção genuína de querer ser feliz. Você não sabe se vai e não quer errar, nem magoar ninguém.

Tudo se copia.
Desde os desenhos de animais pré-históricos.
A gente olha pela janela indiscreta diariamente, vemos como os outros se comportam, o que eles fazem, para entendermos até onde podemos ir, o que podemos ou não fazer. E isso não é errado, isso vem desde os primórdios, de querer entender, conhecer e também imitar. Mas nada de roubar ideias e assinar embaixo, viu?! Devemos ser bons ladrões. Como? Saber “roubar” é pegar as coisas boas e transformá-las para algo melhor ainda, a fim de que possam ser mais úteis para nós e para os outros.

Rótulos
Rotular as pessoas pelas suas atitudes é inevitável. Apesar de ser compreensível, deveríamos repensar. O que se fez no passado definia quem a gente era, não quem a gente é hoje. Os seres humanos mudam todos os dias com cada informação e aprendizagem adquirida. Existe sim a chance de repetir o erro, mas se não pudermos mais acreditar na evolução, quem acreditará em nós?

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