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Bento-gonçalvense participa de desafio de Highline em Canela

Ranieri Moriggi
Escrito por Ranieri Moriggi

Jovem fará a travessia de 125 metros de distância na Cascata do Caracol

Sob os pés, uma fita de poucos centímetros de largura, presa entre dois extremos, por cerca de 125 metros de distância. Com passos firmes e precisos, o bento-gonçalvense Tiago Sarate, quer caminhar entre os dois pontos em menor tempo e sagrar-se campeão da competição “Caracol por um Fio”, que ocorre neste sábado, 20 e domingo, 21, na Cascata do Caracol, em Canela. O jovem foi um dos 10 selecionados para participar da disputa, que mescla arte, equilíbrio, concentração e adrenalina e que vai contar com a participação de atletas nacionais e internacionais. Segundo ele, o desejo de trazer a Bento Gonçalves o título de campeão da modalidade é grande e a expectativa em realizar o percurso também. Para que isso aconteça, treino e concentração são os ingredientes para o êxito.

Tiago Sarate pratica a modalidade de Higline (slackline nas alturas), há pelo menos cinco anos. Nesse período, ele aprendeu a atravessar lugares inimagináveis e com alturas superiores a 100 metros. Segundo ele, o esporte, ainda pouco difundido na cidade, propicia um encontro com o seu interior, pois mescla, resistência e ao mesmo tempo concentração. “Praticar o Higline me deixa mais tranquilo. Desperta uma felicidade, pois mexe com o nosso interior”, afirma. Ele explica que o medo de altura é deixado de lado quando inicia a travessia. “Ao atravessar o percurso, a concentração limita com que eu apenas veja a linha que nos leva ao outro lado. O olhar fica fixo. Ao passar pelo trajeto, o sentimento que transpassa é o de conquista”, ressalta.

Em Bento, Sarate treina em um bosque localizado na Fervi. Foto: Arquivo Pessoal

Para fazer esse tipo de travessia, que vai envolver o Mirante do Parque e passar pela Cascata do Caracol, Sarate treina diariamente. As atividades de preparação envolvem exercícios de Yoga e meditação, incrementados pela prática do Highline. Em Bento, os treinos ocorrem em um bosque na Fervi, com 23 metros de altura e 40 metros de distância. O local foi escolhido por ser calmo e silencioso, pois, segundo o atleta, é necessária muita concentração. “O acesso de pessoas é mais restrito, o que acaba passando mais tranquilidade para meu colega e eu. Assim, conseguimos treinar para as competições”, garante ele.

Questionando sobre os procedimentos de segurança, Sarate afirma que o esporte é seguro. A utilização de equipamentos, caso ocorra um passo em falso, uma escorregada, e, consequentemente uma queda no vazio são primordiais. “A precaução é essencial para esse tipo de esporte. É tudo muito seguro”, enfatiza. Na Capital do Vinho, apenas duas pessoas praticam a modalidade e o desejo de Sarate é que o Highline seja difundido. “Estamos trabalhando na expansão do projeto. Buscamos parcerias para a compra de equipamentos para a prática e também os de segurança, a fim de que mais pessoas possam iniciar no esporte”, acredita.

Para a competição em Canela, Sarate diz estar confiante. “Só de atravessar o trajeto, a gente acaba sentindo uma sensação que não se pode descrever. É a conclusão de um desafio”, explica. Durante o evento, haverá premiação para aqueles que fizerem a passagem em menor tempo. Também haverá shows de Trickline no gramado situado na área de jogos ao lado do mirador e um Slackpark para iniciação de adultos e crianças no esporte, com redes de descanso (Chill out Sector) para acompanhantes e iniciantes, buscando envolver e atrair mais pessoas a conhecer e vivenciar o Slackline.

O evento acontece das 9h às 12h e das 14h às 18h, hoje e amanhã, no Parque do Caracol. Canelenses têm acesso gratuito ao parque mediante identificação e comprovante de endereço. Demais visitantes R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).

Conheça o Highline

A prática exige que o atleta esteja preparado para lidar com mudanças e imprevistos. Foto: Arquivo Pessoal

O Highline é uma das quatro modalidades de Slackline, sendo uma das vertentes mais desafiadoras. O esporte basicamente consiste em equilibrar-se em uma fita ancorada a mais de 10 metros de altura e pode ser feito entre formações rochosas, canyons e prédios.

A prática exige que o atleta esteja preparado para lidar com mudanças e imprevistos. Cada travessia é sempre única: os locais de ancoragem, as condições climáticas, o tensionamento da fita, a distância entre as duas pontas e as condições do local variam dependendo do local e do momento.

O Brasil possui diversos lugares em meio à natureza para praticar o esporte, principalmente nas regiões próximas ao litoral, onde o relevo é mais acidentado.

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Ranieri Moriggi

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