Andressa Borges

Banho demorado

Andressa Borges
Escrito por Andressa Borges

Banhos para mim não tem mistério. Shampoo, sabonete, esfoliante às vezes, máscara de cabelo a cada período. Shampoo novamente quando tenho tempo. Não que ultimamente eu ande atarefada demais, é só que funciono melhor quando tenho mais coisas para fazer. A calmaria não é tão boa amiga ou não fomos feitas uma para a outra.

Poucas vezes me deparei com a benevolência de um banho demorado. Talvez por isso aprecio tanto, porque não é rotina. A água que passa e escorre levando qualquer medo e devolvendo vigor. Água corrente é uma bênção! Tirou-me as angústias e veio a calhar depois de dias corridos, e agradeci por isso.

Talvez não tenha nada a ver com sabonetes falar sobre renovação de fé e esperança, mas é recorrente eu sair de roupão e correr para escrever este espaço. Seriam os meus, banhos de luz?

Com a cabeça arejada e uma sensação de gratidão, me imagino forte pensando no amanhã, que será um belo dia apesar de ser segunda-feira .

Mesmo sabendo que não vou conseguir acordar no horário, tomar um suco detox assistindo as notícias, sair para correr e depois começar minha linda rotina, agradeço pela esperança que tenho nisso e pela ansiedade que me desafia a ter dias melhores.

Não temos todos esses momentos? Uma luta constante entre ser, ter, fazer? Uma descoberta de coisas interessantes em fontes esgotadas? Um encontrar e perder diariamente? Uma faísca de esperança em uma fogueira molhada?

Quando almejamos muito além, às vezes a água quente bate suave para avisar, em um banho demorado, que existem milhares de pequenas felicidades pelo caminho que devem ser vividas antes de qualquer coisa.

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