Saúde

Baixa reposição suspende a coleta de sangue em Bento Gonçalves

Fábio Becker Loppe
Escrito por Fábio Becker Loppe

Por recomendação do Hemocs, Tacchini não oferece mais o serviço; doadores precisam agendar e ir até Caxias do Sul

 

Desde agosto, as doações na Unidade de Coleta e Transfusão de Sangue (UCT) do Hospital Tacchini foram suspensas por tempo indeterminado. O problema é que a reposição de sangue para o Hemocentro caxiense estava muito abaixo da quantidade de sangue encaminhada deles para o Hospital Tacchini.

Segundo o responsável técnico da Agência Transfusional do Tacchini, Victor Hugo da Rocha Lenz Pereira, o retorno do sangue destinado ao Hemocs é, historicamente, muito baixo. “O hemocentro fornece 400 bolsas por mês para os pacientes do SUS que atendemos, mas só 13% dos bento-gonçalvenses fazem o retorno deste sangue para eles”, conta. Sublinha ainda que os pacientes em quimioterapia, aos quais se destinam 80% do sangue, são os que correm os maiores riscos de ficar sem distribuição. “A plaqueta usada por eles dura só cinco dias. Em épocas de feriado prolongado, como ano novo, natal e carnaval, quando o pessoal doa menos, muitas vezes, o estoque de plaquetas fica muito baixo. A gente estava correndo risco de chegar nesses períodos de baixa e ficar sem hemoderivado. De Caxias já nos sinalizavam o problema há algum tempo. Havia a possibilidade de ficarmos sem sangue, por isso tivemos que estimular as pessoas a doarem lá”, alerta.

A enfermeira responsável pelo setor de transfusão de sangue do Tacchini, Aline Somensi Manfredini, corrobora com o discurso. “Devido à alta rotatividade, o hemocentro precisa no mínimo de 1000 doadores por mês. Eles nos encaminham as bolsas conforme a nossa necessidade, mas em algum momento se a gente não repusesse, eles parariam de mandar para nós”, afirma.

 

Tratativas estagnadas

De acordo com o secretário da saúde de Bento Gonçalves, Marlon Pompermayer, há certo tempo há tentativas do Tacchini junto a Administração Municipal para que as doações voltem a ser realizadas na cidade, e não mais em Caxias do Sul, mas ainda não se conseguiu chegar a nenhuma consenso com o Hemocs.

Aline assinala que as pessoas precisam compreender que nenhum hospital possui hemocentro integrado. “A gente tem as agências transfusionais que fazem transfusões aos pacientes que precisam, mas os responsáveis por captar e distribuir são os hemocentros, e eles são do Estado ou do Município. Para nós seria ótimo um hemocentro aqui, mas não creio que seja viável para o Município. No Estado mesmo só existem nove”, destaca.

Burocracia necessária

Atualmente para fazer uma doação, a pessoa precisa agendar com o Tacchini e ir até o Hemocs, em Caxias do Sul. “A nossa equipe agenda horário no dia e na hora que se tem interesse. Quando se formam grupos de quatro ou cinco pessoas, a Secretaria da Saúde oferece transporte até lá”, explica Aline.

Pompermayer destaca que apesar de a burocracia diminuir a taxa de doadores, não há maneira de lidar com o problema. “A coleta para o SUS é organizada regionalmente, e o recurso estadual destinado para atender a nossa região está alocado em Caxias do Sul. Caso Bento Gonçalves resolva abrir o seu próprio hemocentro, terá que custear 100% com recurso próprio. E isso, não é possível.” Ainda segundo o secretário, é necessário lembrar as pessoas sobre a importância de doar. “ É preciso que se continue doando. Esse gesto auxilia a vida de muita gente”, destaca.

Já Aline acredita que o processo não é tão complicado quanto parece e que os doadores já estão se acostumando com o procedimento. “Obviamente nem todas as pessoas entendem, existe uma resistência no primeiro momento, mas a maioria acaba compreendendo a situação e querem ajudar. O serviço de coleta do Tacchini está suspenso e quem realmente quer ajudar, precisa ir até Caxias e fazer a boa ação”, reforça.

Ainda segundo ela, ações recentes de incentivo têm dado resultado, e o índice de retorno ao hemocentro já começa a ser mais positivo. “No mês passado, que intensificamos a campanha e fizemos um projeto com as alunas de enfermagem do CNEC e mais a divulgação na mídia, passamos para 34% de reposição”, finaliza.

 

Quem pode doar sangue?

Tanto homens quanto mulheres com idade entre 16 e 69 anos;
– Ter acima de 50 quilos;
– Não ter Hepatite B, Hepatite C, Doença de Chagas, Sífilis, AIDS (HIV), HTLV;
– Estar bem alimentado e descansado;
– Não estar utilizando medicações (antibióticos, corticoides e anti-inflamatórios);
– Se estiver gripado, esperar no mínimo sete dias após a recuperação para poder doar;
– Após uma doação, as mulheres devem esperar 90 dias para fazê-lo novamente; enquanto os homens devem esperar 60 dias.

 

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