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Atenção redobrada para a prevenção

Ranieri Moriggi
Escrito por Ranieri Moriggi

A bronquiolite viral aguda está entre as doenças respiratórias mais frequentes nessa época do ano, em razão do aumento da circulação dos vírus que acometem o aparelho respiratório. Com ocorrência maior em crianças abaixo dos dois anos de vida e, principalmente, em bebês com menos de seis meses, a doença causa a inflamação das vias respiratórias (brônquios).

Conforme a pneumopediatra Priscilla Pozza Pellizzer, devido às baixas temperaturas, os primeiros sintomas da bronquiolite iniciam com a aparição de rinite alérgica e tosse, até progredir para taquipneia, sibilos, batimento de asa do nariz e uso de musculatura assessória. Em média, a doença dura de sete a 10 dias. “Inicialmente existem sintomas gripais, como roncos nasais, coriza, espirros, obstrução nasal, tosse e febre baixa, evoluindo com ‘chiado no peito’ e dificuldade para respirar”, cita.

Transmissão e sequelas

Ainda, segundo a médica, como em qualquer outro quadro em que o agente causador da doença é viral, a transmissão ocorre pelos olhos e nariz, consideradas as principais portas de entrada. “Os vetores de transmissão mais frequentes são as mãos e os objetos contaminados: brinquedos, berços e bancadas, onde podem permanecer até 24 horas. A partir do segundo e terceiro dias, há piora da disfunção respiratória”, salienta. Conforme Priscilla, a época mais propícia para o contágio com o vírus sincicial, principal agente da bronquiolite, ocorre nos meses de maio à agosto, sendo que a maior frequência de infecções se associa a alta umidade relativa do ar. Outros vírus também podem causar a bronquiolite, entre eles, “o rinovírus, metapneumovirus, parainfluenza 1 e 3 , mycoplasma pneumoniae, influenza, adenovírus, podendo haver mais de um vírus presente no contágio”, explica.

Com a bronquiolite, a criança pode vir a sofrer sequelas, entre elas “a recorrência de infecções respiratórias de repetição e a bronquiolite obliterante que é rara, sendo uma forma crônica da doença”, explica a profissional.

Prevenção

Além de higienizar as mãos para evitar contaminação, Priscilla orienta “não beijar o bebê nas mãos e no rosto onde há o maior risco de transmissibilidade, evitar tabagismo ou fumaça, que inclui fogão a lenha”. O Ministério da Saúde aconselha as mães de amamentarem os bebês, já que o aleitamento materno fortalece o sistema imunológico da criança.

Os pais também devem evitar levar as crianças para locais com aglomeração de pessoas, como shoppings, já que a circulação dos vírus é maior. Além disso, a orientação é evitar a exposição passiva ao fumo e o contato dos bebês com pessoas gripadas.

Diagnóstico

O diagnóstico é clínico, através da anamnese e exame físico. De acordo com Priscilla, alguns exames podem ser necessários em situações específicas, como radiografia de tórax, exames laboratoriais, de isolamento viral, entre outros. “Em alguns casos, pacientes com doença grave devem ser hospitalizados. Aqueles com insuficiência respiratória, que tem necessidade de suporte ventilatório ou instabilidade hemodinâmica (causada pela infecção viral ou doença bacteriana secundária) devem ser internados em ambiente de terapia intensiva pediátrica, presença de toxemia, letargia, desidratação, dificuldade para se alimentar, atelectasia observada na radiografia de tórax, afirma.

Tratamento

Conforme a pneumopediatra, a grande maioria dos casos de bronquiolite pode ser tratada em casa, com uso de medicamentos devidamente orientados para melhorar a congestão nasal do paciente. “Como bronquiolite é quase sempre causada por uma infecção viral, antibióticos – que são utilizadas para o tratamento de infecções causadas por bactérias – não são eficazes nesses casos. Se o seu filho tem uma infecção bacteriana associada à bronquiolite, como a pneumonia, por exemplo, o médico poderá prescrever um antibiótico específico”, explica.

Prsicilla salienta que somente um médico pode dizer qual o medicamento mais indicado, bem como a dosagem correta e a duração do tratamento. “O importante é seguir sempre à risca as orientações médicas e nunca se automedicar”, finaliza.

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