Assunta De Paris

As balsas

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Escrito por Assunta De Paris

Nos primórdios da Imigração, toda a nossa região, e nos municípios circunvizinhos existiam imensas reservas florestais de pinheiros e árvores de madeira de lei. Engenhos de serrar madeiras trabalhavam dia e noite. As tabuas e madeira de construção, destinadas a Porto Alegre, eram transportadas em carroças até ao Passo do Governo, no rio das Antas, (hoje Passo Velho). Lá se formavam as balas que, na temporada de muita chuva, eram lançadas às águas, para serem transportadas nas ondas do rio das antas em direção ao Porto Alegre. O serviço com as balças proporcionou boa fonte de renda aos moradores.

Para a composição das balsas concorriam numerosos balseiros. A formação das balsas exigia um trabalho insano. Não havia tempo a perder. Com qualquer tempo, fosse sol ou chuva, os balseiros eram obrigados a trabalhar, dia e noite, em fazer descer as tábuas ao rio junta-las e amarrá-las com cipós… Com centenas de dúzias de tábuas, empilhadas e junta postas, formava-se uma balsa, uma espécie de jangada. As balsas eram dirigidas com remos. Geralmente, era cada balsa, seis balseiros se revezam no remo, cuidando para que a balsa, levada pela fúria das águas, não fosse desencaminhada da correnteza do rio. Às vezes, acontecia que a balsa, não resistindo, se desintegrava, esparramando as tábuas por todos os lados do rio. A situação tornava-se deveras dramática, exigindo dos balseiros trabalho redobrado. Utilizavam-se, então, de canos para recolher as tábuas espalhadas, amarrá-las e recompor a jangada. Felizmente, tais acidentes eram muito raros, pois os balseiros conheciam, palmo, os pontos perigosos do rio sabiam conduzir, com extraordinário destreza, as suas rústicas composições de balsas. Ao imigrar, nossos antepassados se deram de uma só vez o direito da ameaça do desconhecido, da aventura, da coragem e a possibilidade do fracasso e até, da morte.

Balseiro não é uma história passada, nem do passado. Dizer que o homem é um ser racional é também dizer que é um ser histórico. Balseiro é o hoje com identidade do ontem

Ontem, um imigrante europeu, sonhando a América, se encontrava numa floresta, precisando ordená-la para atender as suas necessidades. Árvores a serem derrubadas para plantações, ou para o mundo do homem, desafiado pelo mundo da floresta.

Estradas deram espaço ao fluir de carroças, de caminhões… Estradas especiais deram lugar ao trem, O avião deu ao homem o domínio dos ares.
“Balseiro, em tuas viagens geraste, como base do progresso, a fraternidade, a solidariedade e o convívio respeitoso com a natureza, respeitando a velocidade de seu tempo, colocando o ser humano no comando da balsa da vida, do progresso e da coexistência do homem com a natureza”.

Sobre o autor

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Historiadora e colunista do Jornal Semanário há 30 anos.
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