Cultura

Artista itinerante: três cones, um banco e a simpatia

Lucas Delgado
Escrito por Lucas Delgado

Viver de arte é estar sujeito a uma montanha russa de emoções e às mais variadas possibilidades. À arte de rua, então, abre-se um leque muito maior: contato mais próximo com um público extremamente variado e encarar o imponderável fator climático. Essa situação é vivida por Robson Cruz, que largou suas raízes na capital do estado para viver do malabarismo nos sinais das cidades do Brasil.

Impossível não notar, ao parar no semáforo do cruzamento da 13 de Maio com Saldanha Marinho, um artista portando três cones de trânsito, um banquinho, o talento com as mãos e uma amplo sorriso no rosto. Mais difícil ainda é não percebê-lo através da vestimenta: gravata prateada que combina com a coloração da tinta que cobre o seu corpo esguio.

Aos 26 anos, Robson é natural de Porto Alegre. Ele largou a cidade para aventurar-se pelo país mostrando sua arte para as pessoas. “Eu comecei muito cedo, quando olhava os outros fazendo malabarismo e quis fazer também. A arte me levou para diversas cidades. Fui para São Paulo, Rio de Janeiro, Florianópolis. Também fico muito no estado, em cidades como Santa Maria, Pelotas e aqui em Bento”, busca na memória, sempre da forma mais simples e simpática possível.

Foto: Lucas Delgado

Jurando – e convencendo – que não abre mão da vida que vive através e pela arte, o malabarista conta que tudo começou com as tradicionais bolas de malabares. “Eu observava, achava fascinante e fui atrás. Depois de algum tempo, estava em Santa Maria e vi um rapaz que utilizava cones sem a base para fazer as manobras e pedi para ele me ensinar”. Não só aprendeu como se especializou: há quatro anos equilibra-se em um simples banquinho e utiliza cones completos. “Chama mais atenção que outros materiais né? Assim se torna um diferencial”, conclui.

Entretanto, nem tudo são flores. A vida de itinerante da arte, mesmo que o leve para diversos pedaços de terras brasileiras, tem seu lado ruim. A esposa e filha pequena de Robson ficam em Porto Alegre enquanto ele se aventura pelas veredas asfaltadas da vida. “Infelizmente eu tive que ir para aonde eu poderia buscar dinheiro. De nada adiantaria eu ficar em casa se posso ganhar com meu trabalho em outras cidades. A saudade vem, mas preciso lidar com isso”, lamenta, mesmo sabendo que encontrou na arte uma forma de melhorar a vida dos mais próximos.

Foto: Lucas Delgado

Robson nunca tem certeza para onde vai a longo prazo. Seja nos entroncamentos do caótico trânsito de Bento Gonçalves, nas estreitas e esburacadas ruas de Santa Maria ou até mesmo na sempre movimentada Porto Alegre, ele exala simpatia e talento em sua arte. Na rua, ele(s) persiste(m). E sorrindo.

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