Cultura

Arte para prolongar o efêmero

Andressa Borges
Escrito por Andressa Borges

A exposição “ A Poética no Efêmero”, do artista visual Edson Possamai, que estará disponível para visitação até o dia 11 de junho, no Salão Nobre de Exposições Anastácio Dietrich Orlikowski – 3º andar – Fundação Casa das Artes, é uma obra inusitada: uma vídeo instalação que reúne o orgânico e o tecnológico, com forte propósito e significado.
O artista conta que a exposição é resultado de muita pesquisa em torno de inspirações e dos temas abordados, como experências afetivas, memória, efêmero, corpo como objeto de arte para arte, focado na relação estabelecida na triangulação artista, obra e público.
Seguindo o processo criativo, Possamai conta que pensava, paralelamente ao vídeo, em uma proposta não tecnológica que pudesse capturar os registros do público. “Entendi que a grama poderia ser gatilho para tal, e ainda, responsável por registar a presença do público no espaço expositivo. A grama natural que ocupa totalmente o piso do espaço, está em processo de perecimento pela ausência de irrigação e luz natural e a presença do público que se move pelo espaço, acelerando assim, a morte da mesma, deixando os registros/marcas da presença de quem passou por ali”, argumenta.
Desta forma, a obra se completa, pois é entendido pelo artista que o público é parte dela e responsável por completar o ciclo da mesma. Possamai ainda relata que o processo de composição da obra se deu com o registro de movimentos corporais cotidianos de bailarinos intérpretes, que somados e organizados, resultaram em uma sequência coreográfica de dança-teatro contemporânea.
A obra se baseia nos processos das construções e registros das experiências afetivas de forma a unir artista, intérprete e público, trazendo uma nova proposta e concepção para registro da presença, num processo de renovação de laços afetivos, memória, corpo e ação, encontrando brechas no tempo e no espaço (efêmeros) – através das sensações – para impulsionar pensamentos e interpretações próprias e individuais do público.
O registro que a exposição cria capacita a possibilidade de ressonâncias de temporalidade: o instante da criação artística e sua materialidade como arte, e o instante do testemunho da obra em sua fruição, ato interpretativo do público, de pensamentos nos quais se moldam as respostas, as traduções e seus desdobramentos pós presença, levando em conta toda composição envolvida e pensada para tal resultado.

 

Serviço

Exposição “A Poética no Efêmero” – vídeo instalação de Edson Possamai

Visitação: até 11 de junho

Local: Salão Nobre de Exposições Anastácio Dietrich Orlikowski – 3º andar – Fundação Casa das Artes – Bento Gonçalves

Sobre o autor

Andressa Borges

Andressa Borges

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