Cultura

Ao Rio Grande, com amor

Cleunice Pellenz
Escrito por Cleunice Pellenz

‘Coisas do meu Pago’, de Anilto dos Santos Caureo, homenageia a tradição de nosso estado e pode ser conferida até o dia 30 deste mês na Casa das Artes

No dia 20 de setembro é comemorado o dia do Gaúcho, data em que lembramos a Revolução Farroupilha. Várias comemorações e atividades são feitas em diversas partes do estado, enaltecendo esta cultura tão bonita. Em Bento Gonçalves, uma das homenagens aos Festejos Farroupilhas 2018 é a mostra ‘Coisas Do Meu Pago’, do artista plástico Anilto dos Santos Caureo.
A exposição, que está aberta para visitação na Casa das Artes até o dia 30 deste mês, traz retratos da cultura gaúcha, suas matas, pampas, cavalgadas, o povo e seus costumes, no estilo abstrato e/ou realístico. As molduras também são confeccionadas pelo próprio artista, a partir de madeira de demolição e árvores secas, evidenciando e contextualizando a ligação orgânica do tema.

Por gostar de defender o tradicionalismo gaúcho, Caureo pensou nesta exposição com muito amor, principalmente por relembrar sua infância, vivida no interior de Palmeira das Missões, cidade onde nasceu. Naquela época, ele não conhecia tinta, muito menos tinta a óleo, mas sua mãe sempre deu um empurrãozinho para que ele pudesse pintar, desenhar e fazer suas obras. “Pinto a carvão desde criança, pois minha mãe não tinha tintas para pintar. Das raízes que ela fervia para sair as várias tonalidades de cores, não ficava o preto. Então, certo dia ela me pediu para retratá-la e como eu iria fazer os cabelos delas se eram pretos? Então pensei no carvão, já que pintava as paredes dos galpões com eles e desde aí nunca mais parei. Também tenho telas a óleo abstrata mas o que mais me identifiquei foi com o carvão que foi lá na minha infância” explica, afirmando que com seis ou sete anos já produzia suas obras nas paredes dos galpões onde morava.

A infância no interior

As lembranças da época de criança são as melhores possíveis e, sempre que ele está prestes a pintar, lembra com carinho daqueles momentos especiais. “Sempre que preparo uma tela para pintar passa um filme da infância em minha cabeça e então vem a inspiração: de onde eu me criei, as estradas, dos campos, do mato, da cerca, dos galpões, dos Monjolos, das Lagoas, as várzeas, os cavalos, enfim, centenas de momentos que vivi e que guardo com muito carinho”, salienta.

Além de paisagens e momentos de sua infância, ele também retrata muitos artistas, que os inspira. “Gosto da música gaúcha, por exemplo, retratei Marcello Caminha, sou fã número um dele! Também já retratei José Cláudio Machado Walter Walter Morais e outros. Agora, por exemplo, estou fazendo uma obra do Paixão Côrtes. Mas além disso, gosto de retratá-los porque as músicas que eles interpretam falam do campo, dos cavalos, dos peões e me fazem, novamente, recordar a minha infância”, frisa.

Para emoldurar suas obras, ele utiliza madeira que não é mais utilizada nas fazendas. “As molduras são de madeiras recicladas, geralmente Tarumã ou palanques que já não servem mais para cercas os mourões que busco nas fazendas”, explica.

A mostra pode ser conferida até o dia 30 deste mês, no terceiro andar da Fundação Casa das Artes. O horário de visitação é das 8h às 11h45min e das 13h30min às 17h45min. A entrada é gratuita.

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Cleunice Pellenz

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