Política

Alcindo Gabrielli: “Sem representantes, perdemos forças”

Da Redação
Escrito por Da Redação

Ex-prefeito de Bento lança sua pré-candidatura à Assembleia Legislativa do RS, buscando o fortalecimento da região

O nome do ex-prefeito de Bento Gonçalves, Alcindo Gabrielli, ganha força na Serra Gaúcha para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. O advogado confirmou a pré-candidatura e intensificou nos últimos meses a rotina de visitas nos municípios da região e nas conversas com lideranças políticas e empresariais bento-gonçalvenses, buscando firmar parcerias para fortalecimento de sua campanha. Gabrielli acredita que o fato de possuir uma bagagem como vereador, vice-prefeito e prefeito da Capital Nacional do Vinho auxiliam a fortalecer a sua caminhada até o pleito de outubro, sendo um forte fator para a obtenção dos votos necessários do eleitorado.
Afastado da função pública por cerca de 10 anos, Gabrielli afirma que o momento é de aceitar novos desafios, por entender que Bento Gonçalves e região precisam estar representados no parlamento gaúcho. “Faço isso por que gosto e entendo que o fato de ter sido vereador por oito anos, vice-prefeito e prefeito municipal auxiliam no desenvolvimento e na divulgação de minha campanha por aqui e outras regiões do Estado”, afirma. Ele cita ainda que a possibilidade de concorrer nas eleições de outubro surge também depois que o candidato que mais fazia votos na região pelo seu partido, o MDB, não mais concorrerá. “Esse fator abre a possibilidade de buscar parte dos votos deste eleitorado”, garante.

Mesmo num momento em que a população está desacreditada de políticos e suas agremiações, Gabrielli aponta a importância em olhar o passado e naqueles que trabalham em prol do desenvolvimento. Ele acredita ainda que o voto dado pelo eleitor passa pelas mais diversas avaliações e que vai à busca regional dos votos do MDB. “Prefeitos, vereadores, membros do diretório, a juventude do partido, o MDB Mulher, todos vão votar e fazer campanha para os candidatos do partido e vou ser um destes”, ressalta. Ele pontua ainda que seu trabalho ao longo de sua trajetória pessoal e profissional também devem influenciar o eleitorado.

Atual Conjuntura Política

Indagado sobre quais mudanças deveriam ocorrer na política brasileira, Gabrielli é enfático ao afirmar que nada irá mudar de uma hora para outra e que a questão cultural brasileira deve ser levada em conta. Para ele, uma reforma política adequada seria a solução de grande parte dos problemas que afetam o país. “Fim das coligações partidárias, redução do número de partidos, fidelidade partidária, não a reeleição na majoritária com o aumento da duração do mandato para cinco anos, além do financiamento da campanha somente através de pessoas físicas e sem dinheiro público”, aponta.

Gabrielli diz que se essas alterações ocorressem e a população brasileira sentisse os efeitos das mudanças, a questão dos votos brancos e nulos também seria algo que não prejudicasse os pleitos. Para o pré-candidato, deixar de votar ou anular a participação, favorece os maus políticos. “Não existe outro caminho para melhorar a situação que aí está se não for pelo voto”, salienta. “Esses votos anulados são desconsiderados pela legislação eleitoral, ou seja, elege-se quem tem a maioria dos votos válidos mesmo que sejam apenas 50%, 30% ou só 5%. Votos nulos são como se não existissem, apenas para estatísticas”, afirma. Para ele, o pleito de outubro poderá mudar esses cenários, caso os eleitores busquem o conhecimento dos candidatos antes de votar. “Acredito em uma boa renovação”.

Excesso de candidatos de Bento

Um dos aspectos apontados por lideranças empresariais e políticas ao longo dos anos que buscam o entendimento acerca da ausência de representantes nos cenários estadual e federal da política desde 1990 é a quantidade exagerada de candidatos que lançam suas candidaturas em Bento Gonçalves. Gabrielli pondera que mesmo havendo um número considerável de pessoas dispostas a conquistar uma cadeira nos parlamentos, há a necessidade em buscar o diálogo com outros partidos para mostrar que é preciso focar mais para Bento e região. Ele espera que a população faça a sua parte e escolha aqueles que tenham postura séria para exercer a função pública. “Nós vamos ter que analisar quem são os candidatos, qual o seu passado, o currículo político, qual a sua base partidária, se possui abrangência régio nal, se é uma pessoa séria ou se envolveu em escândalos. Votar naquele que tem mais condições de se eleger e bem representar nossa cidade e região”, afirma.

“Partidos e políticos devem pagar por seus erros”

Gabrielli destaca avanço na busca regional de apoios para sua campanha junto aos outros partidos e lideranças políticas. Foto: Merlo Fotografia

Gabrielli acredita que sendo eleito, Bento Gonçalves e região poderão avançar mais. Para ele, a ausência de representantes na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa causa sérios prejuízos. Ele questiona quais grandes obras foram conquistadas nos últimos vinte anos. “O que temos notado são escassas emendas de parlamentares de outras regiões e empréstimos. Nos perdemos muito em não termos um parlamentar daqui junto à mesa dos governos estadual e federal”, afirma. Ele cita exemplos como a questão da desapropriação do terreno para a construção do Presídio Regional, que ocorreu durante a sua gestão, em 2007 e sobre a questão do sistema de esgotamento sanitário da Corsan, também à época em que era prefeito de Bento. “Somente agora, após 10 anos é que essas obras se tornarão realidade”, aponta. Ele ainda critica a situação dos trevos de acesso à Bento, as duplicações entre Tuiuty e Carlos Barbosa e da rodovia entre Bento e Farroupilha. “Com um deputado teremos mais força e representativa para a concretização de obras estruturais e recursos que permitam um maior desenvolvimento regional. Sem representantes, perdemos forças”, esclarece.

Questionado se os últimos episódios em Brasília não desestimulam o seu retorno à política, Gabrielli é enfático ao dizer que não se pode perder a coragem. Ele defende que políticos e partidos envolvidos em escândalos paguem pelos seus erros. Favorável à prisão em segunda instância, fim do foro privilegiado, a lei da ficha limpa, ele defende a Operação Lava-Jato até as últimas consequências. Gabrielli diz ainda que o MDB gaúcho possui lideranças que nunca tiveram seus nomes envolvidos em atos de corrupção e afirma que a sigla em Bento também é símbolo de ética. “Homens públicos como Pedro Simon, Germano Rigotto e o nosso governador José Ivo Sartori, além de personalidades como Aristides Bertuol, Ervalino Bozzeto, Sadi Fialho Fagundes e Milton Rosa, são e foram pessoas sérias e íntegras”, ressalta.

Governo Sartori

Líder nas últimas pesquisas de intenção de voto para o governo do Estado, o governador José Ivo Sartori é definido por Gabrielli como corajoso ao administrar inúmeras dificuldades, olhando para frente e segundo ele, se esforçado para deixar de lado um modelo de Estado ultrapassado, a fim de priorizar as ações públicas voltadas para áreas como saúde, educação e segurança. Gabrielli diz que mesmo as limitações financeiras, Sartori tem realizado obras e serviços. “Um exemplo claro em nossa região é a recuperação de nossas rodovias. Trata-se de um governo liderado por um político com mais de 40 anos de cargos públicos, sem qualquer mancha quanto a sua decência e honestidade”, garante.

Plano Diretor em Bento

Questionado sobre o posicionamento do seu partido (MDB), quanto as últimas denúncias envolvendo supostos atos de corrupção e o arquivamento da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) relacionada com emendas do Plano Diretor, Gabrielli foi enfático ao dizer que a posição do partido foi demonstrada através da decisão unânime dos vereadores da sigla que apoiaram o prosseguimento das investigações, a fim de que fossem apuradas a veracidade dos fatos contidos no material entregue ao Ministério Público. “Mais do que apoiar, os três vereadores assinaram requerimento de criação de uma CPI e votaram a favor da abertura do processo”, aponta.

Avaliação do governo municipal

Durante um mandato, Gabrielli governou Bento Gonçalves e afirma que toda a avaliação sobre a atual gestão a frente do município deve ser feita pela população. Ele destaca que pelo perfil de um povo batalhador, é necessária atenção redobrada, a fim de oferecer melhores condições de vida, em especial, nas áreas de saúde, educação e segurança. Para ele, há muitas potencialidades a serem desenvolvidas na cidade, seja no interior ou na área urbana, através da disponibilização de condições de infraestrutura. “Já passei por esta importante missão de ser prefeito de Bento Gonçalves. Tiramos muitas lições, experiências e aprendemos muito. Entendi que mais humildade e menos arrogância não fazem mal, ao contrário, constroem relacionamentos que refletem em uma comunidade mais solidária e participativa”, afirma.

Questionado sobre como o povo avaliou sua passagem pela prefeitura, Gabrielli ressalta que tudo se modifica conforme o tempo. Para ele, o que é bom hoje, pode não ser no futuro. “O que posso dizer é que nós procuramos fazer mais para as pessoas, sem deixar de lado os serviços estruturais necessários”, lembra. Ele destaca ainda que durante os quatro anos de sua gestão não foram vistos escândalos que pudessem manchar sua administração. “Creio que foi um período de paz e trabalho. Eram tempos em que não existiam programas federais, por exemplo e nem foram feitos empréstimos para a realização de obras e mesmo assim deixamos um saldo positivo, na época, de R$ 15 milhões”, finaliza.

Quem é Alcindo Gabrielli?

Nascido em 17 de julho de 1962, em Veranópolis, Gabrielli exerce atualmente a função de advogado. Durante os primeiros anos da infância permaneceu com seus pais que tinham um moinho e armazém ao lado do rio Jaboticaba, próximo da ponte férrea que atravessa o Rio das Antas e localizado na Linha Barros Cassal. Aos sete anos passou a residir na casa dos avós maternos Ernesto e Henriqueta Zanelatto Baldissera, uma vez que o local era mais próximo do colégio e também para ajudar nos serviços na roça. Na localidade de Monte Bérico, em Veranópolis, atuou como serviços gerais em curtume/fábrica de bolas e de carrocerias.

Em 1979 chegou em Bento Gonçalves e fixou moradia no bairro Licorsul. Exerceu atividades nas empresas Farina S/A, como controlador de produção, Gioia Móveis Ltda e Vinhos Salton S/A, trabalhando como Técnico de Segurança do Trabalho.

Em 1988, Gabrielli conclui a graduação em Direito pela Universidade de Caxias do Sul – UCS, exercendo a função de advogado na área trabalhista atuando para o Sindicato dos Metalúrgicos, Mobiliário e da Alimentação de Bento Gonçalves. Ao mesmo tempo, foi vereador por dois mandatos (Legislatura 1993/1996 e 1997/2000).

Seu trabalho na política ainda lhe renderia o cargo de Vice-Prefeito na gestão 2001/2004 e Prefeito Municipal na gestão 2005/2008. Ao encerrar seu cargo, em 2009, Gabrielli retornou ao seu escritório de advocacia e na função de assessor jurídico do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos e do Comércio de Bento Gonçalves.

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