Editorial

Aedes volta a zumbir

Cristiano Migon
Escrito por Cristiano Migon

Nas duas primeiras semanas de 2019, a vigilância epidemiológica de Bento Gonçalves já encontrou oito focos do mosquito Aedes Aegypti no município. O número já é igual ao registrado em todo o ano passado se considerada a incidência em bairros, o que liga o sinal de alerta no setor de Saúde da cidade. Nos últimos anos, as estatísticas deixaram de ser superlativas, mas o tratamento dado pelas autoridades sanitárias não vai além do ramerrão e isso também provoca apreensão.

A proliferação do inseto, que ocorre em água parada, tem sido um desafio para os agentes de saúde encarregados de prevenir a dengue. A incidência concentra-se no verão, aumentando na primeira metade do ano e diminuindo de junho em diante. A explicação para isso é que as chuvas do período favorecem o aumento das poças d’água, e a população não se previne adequadamente.

“É preciso investir em prevenção. Conter uma epidemia sairá muito mais caro”

Ao longo das últimas décadas a proliferação da dengue, e mais recentemente da Zika e Chikungunya, tem preocupado as autoridades de saúde pública e aumentado as pesquisas relacionadas ao mosquito transmissor. Grande parte dos estudos indica que a degradação ambiental pode estar ligada ao alto número de casos. A redução da cobertura vegetal e o descarte inadequado de resíduos fazem com que os mosquitos migrem das florestas para as cidades e encontrem condições para a proliferação. Além disso, o acúmulo de água em resíduos descartados incorretamente e a ausência de predadores naturais são hipóteses para a incidência de tais doenças.

Terrenos baldios, jarros de plantas, caixas d’água abertas, pneus velhos, vasos e vasilhames expostos são criadouros naturais do mosquito retransmissor da doença. Entulhos, podas e lixo também ajudam na proliferação, exigindo-se, para erradicá-la, o engajamento da população. Do contrário, os riscos de óbitos continuarão.

O aumento do número de focos significa que a prevenção relaxou ou não surtiu o efeito planejado. Este controle não funciona sem o apoio da população. É, portanto, na informação e na educação que o Estado precisa investir, além de outras medidas de combate ao mosquito. Tudo é válido, mutirões, campanhas publicitárias, engajamento de empresas, escolas, órgãos públicos. Um combate permanente, independentemente da estação do ano trará resultados. Sempre é bom lembrar que o investimento em prevenção é o melhor que qualquer governo pode fazer. Conter uma epidemia sairá muito mais caro.

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