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Adequação contra incêndio: Passado de Bento Gonçalves corre risco

Guilherme Kalsing
Escrito por Guilherme Kalsing

Apenas um prédio do município está com PPCI em andamento; os demais devem ter liberação dos Bombeiros até o fim do ano

No dia 2 de setembro, o Brasil e o mundo assistiram o incêndio que devastou o Museu Nacional, no Rio de Janeiro. A partir de então, os olhares passaram a estar mais atentos aos patrimônios históricos, inclusive em Bento Gonçalves.

A Capital do Vinho é rodeada de história. Por aqui, há um grandioso arquivo documental desde a chegada dos primeiros imigrantes italianos que vieram para explorar e trabalhar nestas terras no plantio de uva e na construção de prédios que hoje servem como sede para a estrutura do município, museus e alguns se mantendo como local para comércio. Isso sem contar outros tantos abandonados e com grande relevância histórica.

Como qualquer edificação para ser liberado, é necessário a apresentação de um Plano de Prevenção Contra Incêndio (PPCI). Este aval é dado pelo Corpo de Bombeiros e ganhou importância, pós o caso do Museu Nacional. Conforme o Capitão Márcio Batista, atualmente apenas um está com PPCI em dia. “O plano do Museu do Imigrante, prédio de muita história para a cidade está em vigor até o final de 2019. Todas as normas foram atendidas para seu funcionamento”, conta.

Segundo o Batista, os demais prédios históricos estão próximos da liberação. “Estão no processo de regulamentação e outros aguardando a vistoria. É algo um mecanismo que demanda algum tempo, mas nossa equipe está trabalhando e tudo deve ser regularizado em breve conforme as leis vigentes”, confirma.

Apesar de antigas e alguns sem poder sofrer modificações na estrutura, Batista reitera que o trabalho da corporação mantém o mesmo nível de exigência dos demais. “Esses prédios precisam apresentar medidas compensatórias com sistemas que supram as carências da construção. Em caso, por exemplo, de incêndio, uma pintura antichamas ou que retarde a propagação e extintores”, relata.

A presidente do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural (Compahc), Luciana Cristina Mella da Silva, ressalta o trabalho realizado para manutenção da história aliada com a segurança. “Os projetos que necessitam de alterações nas edificações históricas da cidade são encaminhados para o Conselho. A partir disso, é apresentado as soluções técnicas que serão aplicadas para o desenvolvimento dos projetos tanto arquitetônico como os complementares (PPCI, acessibilidade, elétrico e outros). É deliberado conforme justificativas técnicas informadas para serem realizadas”, observa.

Aguardando definição orçamentária

Se alguns locais históricos estão preservados e dentro das leis, outros passam longe de estarem adequados. Caso, por exemplo, da casa do até então último presidente militar do país, Ernesto Geisel. O local segue fechado e aumentando o estado de precariedade em termos estruturais.
A ideia inicial era uma divisão do espaço. O Exército utilizaria um dos cômodos da residência, transformando em um espaço cultural destinado a apresentar a história do Presidente Geisel. Já o município, projetava instalar a junta de Serviço Militar.

Porém, as ideias não avançaram por aguardar aporte financeiro. Atualmente, o Hospital Tacchini é o único que utiliza o terreno, ocupando o espaço para estacionamento. Segundo Luciana, a casa do ex-presidente e outros edifícios históricos da Capital do Vinho estão em processo de captação de recursos. “A Casa Geisel, a Subprefeitura de Tuyuti e Sede da Prefeitura Municipal, já possuem os projetos complementares e executivos dessas edificações, assim como laudos com diagnósticos sobre a situação atual das mesmas. Esses projetos se encontram em processo de dotação orçamentária”, aponta.

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