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A madeira nos primórdios da imigração

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Escrito por Assunta De Paris

Como não havia serrarias nas imediações do tote rural, eram contratados dois homens para serrar toda a madeira necessária à mão. O serviço consistia em derrubar o pinheiro, descascá-lo, serrá-lo em toras de quatro metros, conduzi-las ao estaleiro e, em seguida, serrar a referida tora no que fosse necessário; tábuas, barotes, etc.

Nos primórdios da colonização, a madeira para as primeiras casas eram rachadas ou serradas à mão, para isto utiliza-se um estaleiro e um serrote apropriado onde o que ficava embaixo da tora realizava a operação, enquanto aquele superior tinha a função de levar de volta o serrote.

Os serradores, para desenhar onde deveria passar a serra, usavam barbante com tinta pó. Com a mão, levantavam o barbante no meio da tora e o soltavam com força, para deixar o sinal do barbante.

Mesmo depois do período da madeira industrializada, muitas vezes foi mais conveniente serrar à mão do que pagar uma serraria. Outras vezes, a dificuldade de transporte tornava mais vantajoso o corte manual.

Podemos reconhecer as tábuas serradas a domicílio, pelas larguras não uniformes e pela textura do corte.

Serramento mecânico (serraria) – Tão logo a melhora das estradas permitiu o escoamento da produção, surgiram serrarias nas zonas coloniais ou em função destas melhoraram-se as estradas. Em alguns lugares houve serrarias movidas a vapor, mas especialmente rodas hidráulicas movimentavam as serrarias.

Com o correr do tempo, paulatinamente, tornou-se mais vantajoso adquirir madeira beneficiada industrialmente do que processá-la à mão.

De madeira foram as construções provisórias e, nas colônias antigas 85% das casas e aproximadamente 100% das edificações complementares.

As casas de madeira podem ser consideradas criação dos imigrantes italianos, não sendo vistas no País de origem.

As numerosas espécies de madeiras de lei existentes na região tiveram utilização intensa na arquitetura, bem como nos demais aspectos da vida colonial, mas o pinheiro (Araucária) sem dúvida constituiu-se no elemento mais importantes de todo esse ciclo arquitetônico. Árvore extremamente abundante na região, de tronco avantajado e uniforme, madeira macia, fácil de trabalhar, com fibras regulares e boas características estruturais, prestou-se muito bem a todo o tipo de uso: estrutura, paredes, pisos, coberturas e até esquadrias.

Madeiras rachadas: Foi o processo mais antigo para obter tábuas, mas perdurou bastante tempo e ainda se utiliza no preparo de tabuinhas de cobertura e mesmo na construção de residências.

Sobre o autor

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Historiadora e colunista do Jornal Semanário há 30 anos.
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