Andressa Borges

A cor do preconceito

Andressa Borges
Escrito por Andressa Borges

Do dicionário: preconceito é um substantivo masculino que significa qualquer opinião ou sentimento concebido sem exame crítico. Ideia, opinião ou sentimento desfavorável formado sem conhecimento abalizado, ponderação ou razão. Sentimento hostil, assumido em consequência da generalização apressada de uma experiência pessoal ou imposta pelo meio; intolerância.
Tenho vontade de falar sobre o preconceito em geral, contra homens de cabelo comprido, pessoas acima do peso, mulheres, pessoas com necessidade especiais. Mas vou me limitar a comentar sobre os últimos acontecimentos relacionados às pessoas de cor.

Para quem não sabe, eu sou uma dessas pessoas de cor. Filha de um mix de brasileiro, com índio, africano, russo, polonês e mais uma diversidade de etnias que não faço ideia que estejam no meu sangue. Já sofri aquele preconceito mais descarado, quando era pequena. Já perguntei a Deus: “Porque me fizeste de cor? Para que ninguém gostasse de mim?” Graças a Ele, um sentimento passageiro, de uma criança inocente que não absorveu a maldade alheia. Pois, o que seria de mim se, além de todos os meus problemas de autoestima, ainda tivesse que lidar com isso, não é?
É provável que esse assunto se estenda para outras ocasiões, mas juro que tentarei ser breve. Cada vez que vejo ou ouço alguém ter uma atitude racista, a única pergunta que eu faço é: PARA VOCÊ, O QUE A COR DA PELE INTERFERE NO CARÁTER, INTEGRIDADE E SENTIMENTO DE UMA PESSOA?

A cor de uma pessoa é capaz de definir se ela é ou será um ladrão, um assassino ou um mau caráter? Até onde eu sei a melanina, que é uma proteína, garante a coloração da pele e evita danos da radiação ultravioleta ao nosso DNA. A única diferença entre brancos e negros é a quantidade de melanossomos, organelas que estão dentro de células chamadas melanócitos, onde é produzida a melanina. Quanto mais melanossomos, mais melanina é produzida. Segura essa bomba: NÓS SOMOS IGUAIS.
Só este ano tivemos algumas ideias vindas de acéfalos que deram vida a campanhas publicitárias de intenção muito duvidosa. A marca de cosméticos Dove pediu desculpas após uma propaganda para promover um sabonete líquido onde, em três segundos, uma mulher negra tira uma camiseta para revelar uma mulher branca, que remove sua camiseta e revela uma terceira mulher. O vídeo foi amplamente criticado e denunciado.

No mês passado, o Ministério da Saúde lançou a campanha “O SUS está de braços abertos para a população negra”. Fiquei sem reação ao ler e me senti super especial. Graças ao meu bom Deus, o SUS agora vai me receber com todo o carinho. Li vários comentários e matérias sobre isso, e o Ministério justifica que, desde o início do ano é obrigatório preencher formulário do SUS indicando de que raça/cor você é e, com isso, eles mapearam doenças genéticas e hereditárias que são mais comuns na população negra, como a anemia falciforme, diabetes mellitus e a hipertensão arterial. Agora me diz: onde está a população negra? Falando assim, até parece que “a população negra” tem uma tribo, ou são paupérrimos ou moram todos num cortiço sujo cheio de mazelas.

Não tente incluir os negros, só pare de excluí-los! Quando você cria um programa ou abre cotas na sua Universidade você está excluindo eles do seu grupo e colocando em outro.

Não dá para negar a dívida histórica que estão tentando quitar, mas já que não dá para voltar no tempo e soltar os negros das correntes, que tal fazer agora o que não fizeram naquela época? Tratar os negros como gente que são, dando acesso aos direitos humanos como todos têm? Desculpa, é muito?

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