Editorial

A BM e a ausência do bem

Da Redação
Escrito por Da Redação

Santo Agostinho tenta provar de forma filosófica de que Deus não é o criador do mal, em seu livro ‘O Livre-arbítrio’, pois, para ele, tornava-se inconcebível o fato de que um ser tão bom pudesse ter criado o mal. A concepção que Agostinho tem do mal, está baseada na teoria platônica, assim o mal não é um ser, mas sim a ausência de um outro ser, o bem. O mal é aquilo que “sobraria” quando não existe mais a presença do bem. O pensamento do santo católico foi utilizado pelo comandante da Brigada Militar, como ferramenta preparatória para que a refeição servida no jantar do CIC não se tornasse indigesta ante os números posteriormente apresentados sobre a violência no estado.

Mas até aí nenhuma novidade. O estado, em similaridade a todo país, não está em um momento tranquilo no setor de segurança e não é de hoje. O efetivo está gravemente defasado – entre 40 e 60% no RS, conforme os dados passados pelo coronel -, as penitenciárias “atuando” com até três vezes sua capacidade carcerária, o soldado completamente desvalorizado e o criminoso, cada vez mais moderno e audacioso, sabe que infelizmente (felizmente para ele) caso venha a ser preso, não permanecerá mais que algumas horas no presídio. Isso sem entrar nos problemas do eixo Porto Alegre/Passo Fundo que dá e ainda dará muito trabalho à Brigada Militar.

Contudo, o que causou uma mescla de surpresa, estranheza e tristeza na explanação do coronel foi a demonstração da tabela de metas da corporação para 2017. A Brigada Militar considerará um número “tolerável” que haja três mil crimes violentos contra a vida (homicídios e latrocínios) até o final deste ano. E pasme, o número corresponderia a uma redução de 2,33% nos indicadores em comparativo ao ano passado. O mesmo cenário perturbador é exposto no número de roubos a pedestre, transporte público e estabelecimentos comerciais, que se permanecerem dentro do “aceitável” pela polícia, devem reduzir entre 2 e 5%.

Mas afinal, se os números se apresentam tão incompatíveis com os anseios populares, a solução seria aumentar o número de policiais nas áreas problemáticas, dar melhores armamentos e condições de trabalho, certo? Errado. Ao menos no entendimento do chefe da Brigada Militar do estado. Para o coronel Andreis Silvio Dal’Lago, a solução para a criminalidade começa pela sociedade. Claro, a BM está fazendo ações de combate a violência e inclusive inovando no setor, como a anunciada debandada dos brigadianos de estádios de futebol para reforçar o efetivo nas ruas, contudo a segurança começa com pequenas ações. Não dar chance para o azar, andando com celular na mão em grandes centros, não deixar objetos dentro de automóveis ou o portão da residência aberto e uma série de outras ações do cotidiano podem e provavelmente vão auxiliar a Brigada a minimizar os números. O coronel foi enfático ao afirmar que “só a polícia não vai resolver os problemas de segurança pública”. É preciso engajamento comunitário e de empresários, como já é realizado em Bento Gonçalves. Que as parcerias da Capital do Vinho e as ações do Consepro daqui sirvam de exemplo para outros locais no estado também consigam melhorar os índices da violência, caso contrário, a ausência do bem, tão pontuada pelo coronel, se manterá e proliferará cada vez mais. Estamos mesmo tão defeituosos e deficitários a ponto de que almejar dias sem “margens aceitáveis de assassinato” virou utopia?

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A BM e a ausência do bem

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Santo Agostinho tenta provar de forma filosófica de que Deus não é o criador do mal, em seu livro ‘O Livre-arbítrio’, pois, para ele, tornava-se inconcebível o fato de que um ser tão bom pudesse ter criado o mal. A concepção que Agostinho tem do mal, está baseada na teoria platônica, assim o mal não é um ser, mas sim a ausência de um outro ser, o bem. O mal é aquilo que “sobraria” quando não existe mais a presença do bem. O pensamento do santo católico foi utilizado pelo comandante da Brigada Militar, como ferramenta preparatória para que a refeição servida no jantar do CIC não se tornasse indigesta ante os números posteriormente apresentados sobre a violência no estado.

Mas até aí nenhuma novidade. O estado, em similaridade a todo país, não está em um momento tranquilo no setor de segurança e não é de hoje. O efetivo está gravemente defasado – entre 40 e 60% no RS, conforme os dados passados pelo coronel -, as penitenciárias “atuando” com até três vezes sua capacidade carcerária, o soldado completamente desvalorizado e o criminoso, cada vez mais moderno e audacioso, sabe que infelizmente (felizmente para ele) caso venha a ser preso, não permanecerá mais que algumas horas no presídio. Isso sem entrar nos problemas do eixo Porto Alegre/Passo Fundo que dá e ainda dará muito trabalho à Brigada Militar.

Contudo, o que causou uma mescla de surpresa, estranheza e tristeza na explanação do coronel foi a demonstração da tabela de metas da corporação para 2017. A Brigada Militar considerará um número “tolerável” que haja três mil crimes violentos contra a vida (homicídios e latrocínios) até o final deste ano. E pasme, o número corresponderia a uma redução de 2,33% nos indicadores em comparativo ao ano passado. O mesmo cenário perturbador é exposto no número de roubos a pedestre, transporte público e estabelecimentos comerciais, que se permanecerem dentro do “aceitável” pela polícia, devem reduzir entre 2 e 5%.

Mas afinal, se os números se apresentam tão incompatíveis com os anseios populares, a solução seria aumentar o número de policiais nas áreas problemáticas, dar melhores armamentos e condições de trabalho, certo? Errado. Ao menos no entendimento do chefe da Brigada Militar do estado. Para o coronel Andreis Silvio Dal’Lago, a solução para a criminalidade começa pela sociedade. Claro, a BM está fazendo ações de combate a violência e inclusive inovando no setor, como a anunciada debandada dos brigadianos de estádios de futebol para reforçar o efetivo nas ruas, contudo a segurança começa com pequenas ações. Não dar chance para o azar, andando com celular na mão em grandes centros, não deixar objetos dentro de automóveis ou o portão da residência aberto e uma série de outras ações do cotidiano podem e provavelmente vão auxiliar a Brigada a minimizar os números. O coronel foi enfático ao afirmar que “só a polícia não vai resolver os problemas de segurança pública”. É preciso engajamento comunitário e de empresários, como já é realizado em Bento Gonçalves. Que as parcerias da Capital do Vinho e as ações do Consepro daqui sirvam de exemplo para outros locais no estado também consigam melhorar os índices da violência, caso contrário, a ausência do bem, tão pontuada pelo coronel, se manterá e proliferará cada vez mais. Estamos mesmo tão defeituosos e deficitários a ponto de que almejar dias sem “margens aceitáveis de assassinato” virou utopia?

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