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140ª Festa de Santo Antônio: arte, tradição e fé reunidas em Bento

Ranieri Moriggi
Escrito por Ranieri Moriggi

Edição de 2018 da famosa celebração do padroeiro da cidade retrata a religiosidade trazida pela imigração italiana

Quem passa pelo santuário de Santo Antônio, no centro de Bento Gonçalves, para pedir ou agradecer por alguma graça alcançada, também pode apreciar uma novidade preparada especialmente para a 140º festa do padroeiro da cidade. Quadros e esculturas do santo estão expostas no interior do templo e integram as atividades programadas para as festividades que terão seu ponto alto nesta quarta-feira, 13, feriado municipal, quando milhares de fieis deverão se reunir para celebrar a vida do santo, nascido em Lisboa, por volta de 1190.

A exposição, intitulada “Jubilar, 140 anos”, mostra obras de arte e quadros trazidos nas malas pelos imigrantes italianos, quando vieram da Europa, para desbravar a região da Serra Gaúcha, trazendo consigo a esperança de uma nova vida, sem esquecer da religiosidade, forte característica preservada até os dias de hoje na Capital do Vinho. O material exposto na igreja contem quadros com a imagem de Santo Antônio, alguns deles, centenários, e imagens sacras, em especial, uma escultura de mais de 200 anos, talhada em madeira pelo artista brasileiro Antônio Francisco Lisboa, mais conhecido como Aleijadinho.

Para a integrante da equipe organizadora da festa, Maria Del Rosário de Léon de Forni, a ideia da exposição partiu das mulheres que integram o grupo de casais festeiros da edição de 2018, juntamente com o apoio do padre Luís Carlos Conci. Segundo Maria, a intenção em promover a mostra, pretende despertar a curiosidade da população em saber mais sobre a vida do santo padroeiro, bem como, reforçar a importância da imigração italiana para a cidade. “Muitas pessoas nem imaginam como a fé por Santo Antônio surgiu e a exposição quer retratar isso com imagens e esculturas centenárias”. Parte do acervo que está no templo é de propriedade de famílias bento-gonçalvenses que ainda preservam as “relíquias” que os seus antepassados trouxeram durante as viagens de navio da Itália ao Brasil. “Há imagens que infelizmente o tempo danificou, ou a catalogação naquela época não foi realizada. Mas o mais importante de tudo é poder mostrar a vida do nosso padroeiro e a importância para os católicos”, ressalta Maria.

As diversas faces do santo

De acordo com o vigário Conci, a devoção popular faz com que o santo padroeiro de Bento tenha o “rosto do povo”, ressaltando a fé que as pessoas possuem. “Santo Antônio está presente não somente na cultura italiana, mas também em Portugal, África e no Brasil, em especial no Sudeste, Nordeste e também no Sul.”, explica. Conforme o padre, no Brasil o santo assume o rosto do povo negro. “Santo Antônio se fez negro, como os negros, pobre, como os pobres, para estar junto com todos”, afirma.

Questionado sobre as diversas imagens que existem sobre o padroeiro de Bento Gonçalves, o padre justifica que as formas variam de acordo com os diversos nomes que o santo possui. “O verdadeiro nome de santo Antônio era Fernando Martins de Bulhões. Tornou-se frade franciscano. E as suas denominações não param por aí, ele era chamado de “a pérola franciscana”, o “martelo de Deus”, “pão dos pobres”, “santo casamenteiro” e tantas outras denominações”, explica. Para Conci, são sinais da presença do santo na vida das pessoas.

Devoção do povo

O culto e a memória de Santo Antônio surge fortemente por volta de 1875, quando os primeiros imigrantes italianos chegaram à região, expandindo a devoção. A partir do século XVII, passaram a invoca-lo para encontrar objetos perdidos, saúde e até para as causas de difícil solução no amor. Antônio acabou tornando-se um intercessor importante na fé e no catolicismo de Bento Gonçalves. Conforme o vigário paroquial, o padroeiro da Capital do Vinho foi um fiel pregador da palavra dos evangelhos. “Hoje, Santo Antônio é uma das figuras católicas mais presentes nas cidades e comunidades. Bento, por sua vez, se identificou muito com a vida de Antônio, por ter em sua biografia a simplicidade, característica muito comum do povo daqui”, explica.

Programação oficial

Com o lema “Sal da terra e luz do mundo”, a 140ª Festa de Santo Antônio inicia às 6h, com Alvorada Festiva e repicar dos sinos em todas as comunidades, e segue com missas, (7h, 8h30min, 10h, 15h, missa campal, presidida pelo bispo da Diocese de Caxias do Sul, Dom Alessandro Ruffinoni, seguida de procissão e às 18h.
Ainda durante as festividades ocorre a apresentação dos Casais Festeiros de 2019. Durante o dia, haverá bênção individual da saúde com Freis Franciscanos e distribuição dos tradicionais pãezinhos de Santo Antônio. Ao meio-dia, será servido o Almoço Festivo no Salão Paroquial do Santuário.

Mudanças no trânsito

A partir das 6h, ocorre a interrupção do lado direito da Rua Marechal Deodoro, sentido Centro-Bairro, para facilitar a circulação dos devotos nas imediações do Santuário. A interrupção total da rua Marechal Deodoro ocorre a partir das 14h, desde a rua Júlio de Castilhos, quando acontecerá a Missa Campal. Em seguida, com previsão de início às 16h, haverá Procissão com o seguinte percurso: rua General Gomes Carneiro, Barão do Rio Branco e Cândido Costa, retornando pela Marechal Deodoro até o Santuário Santo Antônio, trajeto que exigirá atenção especial dos motoristas.

Curiosidades

Segundo o Censo 2010, há pelo menos 34 municípios brasileiros que levam o nome do santo casamenteiro em seus registros e pelo menos 228 freguesias e algumas catedrais o tem como titular. Santo Antônio é considerado o santo mais popular do Brasil. São José, pai adotivo de Jesus, ocupa a segunda colocação.

Em diversos locais, é muito comum submeter imagens de santo Antônio a pedidos variados para que cumpra os desejos de quem busca o tão sonhado casamento. Muitas vezes, é colocado dentro de poços, mergulhado na água, até que o pedido se realize.

Em seus sermões, é possível encontrar 3,7 mil citações do Antigo e 2,4 mil do Novo Testamento.

Sua festa, em 13 de junho, abre os festejos juninos e indica a proximidade do inverno.

Hastear bandeiras, visitar capelas, saborear quitutes caseiros confiando a vida ao santo protetor são algumas marcas que permanecem na tradição de Bento Gonçalves e região.

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Ranieri Moriggi

Ranieri Moriggi

geral3@jornalsemanario.com.br

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